Foi a mão como um ralo a semear que me disse que sim, que acreditasse;  que a vida era um poema a germinar, e portanto cantasse! 
Miguel Torga

Um duo que assume o poeta e a sua palavra como ponto de partida, como fonte geradora e fio condutor do programa. O poema é cantado ou recitado servindo todo um espectro que comunica entre si, a palavra poética é o micro e o macrocosmos, o fragmento e a unidade completa.  

Pela natureza multifacetada do duo, a exploração e a interligação das várias possibilidades dentro do campo das artes dão origem a uma linha de trabalho onde as diferentes expressões artísticas convergem para criar uma nova e mais íntima ponte entre intérprete e ouvinte. 

A música portuguesa - do século XX aos nossos dias - assim como a valorização dos poetas portugueses e o incentivo à sua divulgação, são prioridades na criação de projectos. 

Uma voz, o que se diz Voz, um temperamento e um gosto certeiro (que a dona de tantas prendas sabe que tem e só assim pode chegar aonde determina chegar): a Ana Maria Pinto encontrou a Joana Resende, quer-se dizer: um piano natural, um piano sólido, a saber encontrar, com felicidade, o lugar que lhe compete (um piano amigo, para tudo dizer). 
Ou terá sido o contrário? 
Certo é que o duo parece pairar. Mais alto, a cada voo. Os fiéis, esses, ficam suspensos do que as duas amigas congeminarão para a vez seguinte.

José Luís Borges Coelho. Fevereiro 2016


Ana Maria Pinto - Soprano

Ana Maria Pinto nasceu no Porto. Iniciou os seus estudos de canto no Conservatório de Música da mesma cidade com a professora Palmira Troufa. Em 2001, é admitida na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto na classe do professor Rui Taveira e, em 2005, na Universidade das Artes de Berlim, onde estudou com os cantores Robert Gambill e Dagmar Schellenberger. Na prova final do seu mestrado em ópera obteve classificação máxima. No final do ano 2011, foi convidada a integrar o estúdio de ópera da Ópera de Lyon. Foi bolseira da Fundação Walter-Kaminsky (Munique) durante 1 ano, e da Fundação Calouste Gulbenkian durante 3 anos.

Trabalha regularmente com a orquestra da Fundação Gulbenkian e com a Orquestra do Norte. Apresenta-se anualmente nas mais importantes salas do país. No estrangeiro apresentou-se em salas como o Victoria Hall em Genebra, o Teatro Nacional de Kosice (Hungria) o Hebbel Theater (Berlim), a Catedral de Berlim ou a Chapelle de la Trinité de Lyon.

Em ópera destacam-se os papéis de Susanna (Le nozze di Figaro), Elle (La voix humaine), Blanche de La Force (Dialogues des Carmélites), Musetta (La Bohème), Micaela (Carmen), Rosina (O Barbeiro de Sevilha) Kumudha (A flowering tree de John Adams); e as obras de oratória "Jauchzet Gott in allen Landen" de J. S. Bach"Nelson Messe" de J. Haydn, "Exultate Jubilate" de Mozart, "Ein deutsches Requiem" de J. Brahms, "Shéhérazade" de M. Ravel, 4º Sinfonia de Mahler, "Jeanne d'Arc au Bûcher" de Honnegger, , "Chanson de la mer et de l'amour" de Chausson, "Carmina Burana" de Carl Orff, "9º Sinfonia" e "Missa Solemnis" de Beethoven, "O Abismo e o Silêncio" e "Shyir" de João Pedro Oliveira.

Trabalhou com os maestros Marc Tardue, Cesário Costa, Ferreira Lobo, Errico Fresis, Lutz Köhler, Lawrence Foster, Joana Carneiro, Michel Corboz, Bertrand de Billy e com Simone Young. 

Em Agosto de 2009, gravou canções de Fernando Lopes Graça e Viana da Mota com o pianista Nuno Vieira de Almeida. Neste album de estreia, a crítica do Expresso classificou o soprano Ana Maria Pinto como uma revelação. Trabalha  em duo com a pianista Joana Resende, com quem apresenta projectos que visam aprofundar o sentido de interação entre a palavra poética e a múscia, como "Anterianas", "1914'2014 4 quadros para Luís de Freitas Branco", "Homenagem a Jorge de Sena", "Diários em Música, paisagens de Torga e Graça" ou "Folhas caídas, Schumann e Almeida Garrett".

Em Maio de 2015, a convite da Embaixada de Portugal, estreou a sua peça em Windhoek, Namíbia, "A balada do marinheiro-de-estrada, melodrama para soprano ao piano e djambé", uma obra de duas horas inspirada no livro "A balada do marinheiro-de-estrada" de Miguel Gullander. Em Outubro de 2014 estreou os seus dois ciclos de canções dedicados a Jorge de Sena, "Coroa da Terra" e "As Evidências". É co-criadora e mentora do projecto Classic meets Africa, Festival pela Interculturalidade. Dedicou à Orquestra Juvenil da Bonjóia a sua peça "Xinganje meets Kaviula" para orquestra e percussão africana, um prelúdio para a sua peça para orquestra, ensemble vocal e capoeira "A dança de Xinganje & Kaviula", peças que estrearam em Dezembro de 2015. A 1 de Maio de 2016 estreou "Tríptico Africano".

Interpretou o papel de Cecilia no fime "Casanova Variations", (estreia em Novembro de 2014), onde contracenou com John Mallkovich e cantou com Jonas Kaufmann.

Lançou recentemente o CD "Anterianas" juntamente com Joana Resende, com canções de Luís Freitas Branco, Franz Schubert e poemas de Antero de Quental. 


Joana Resende - Pianista

Nascida na cidade do Porto, concluiu a licenciatura na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo da mesma cidade na classe do Prof. Jaime Mota, tendo sido galardoada com o prémio Fundação Eng. António de Almeida. Nesse mesmo ano estudou na Hochschule für Musik und Theater Felix Mendelssohn Bartoldy (Leipzig) com os profs. Gerald Fauth (piano), Karl-Peter Kammerlander (acompanhamento de Lied) e Gudrun Franke (música de câmara).

Completou o curso geral do Conservatório com o prof. Vitaly Dotsenko, trabalhou com a pianista Helena Sá e Costa e foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2009 completou o Mestrado em Performance na Universidade de Aveiro, tendo trabalhado com o pianista Fausto Neves e apresentado comunicações em Portugal, Reino Unido, França e Brasil. 

No domínio do Lied integrou masterclasses de Hartmut Höll, Dalton Baldwin, Dietrich Fischer Dieskau, Graham Johnson, Malcolm Martineau, Jeff Cohen, Robin Bowman, Wolfgang Holzmair, Robert Holl e Julius Drake. 

Tem-se apresentado em Portugal, França, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo e República Checa em diversas formações. 

Interessa-se pela divulgação de música portuguesa (obras estreadas de Fernando Corrêa de Oliveira, Sérgio Azevedo, Rui Soares da Costa, Eduardo Patriarca, Francisco Monteiro, Berta Alves de Sousa e Fernando Lopes-Graça) e dedica especial atenção ao acompanhamento de Lied/canção. 

Gravou para a Antena 2 ciclos de R. Schumann, L. Freitas Branco, F. Schubert e B. Britten com as sopranos Catarina Sereno e Ana Maria Pinto e o tenor João Terleira e para a RTP/Antena2 com Fausto Neves (Fernando Lopes-Graça, estúdios RTP, Abril 2014) e Ana Maria Pinto (Fernando Lopes Graça e Federico Mompou, CCB, Março 2016). 

Lançou recentemente o CD "Anterianas", juntamente com Ana Maria Pinto, com canções de Luís Freitas Branco, Franz Schubert e poemas de Antero de Quental.