If music be the food of love, play on.
William Shakespeare


Anterianas

O projeto Anterianas inspirou-se nos encontros musico-literários em ambiente informal e de carácter intimista do séc. XIX vienense Schubertíades. Iniciados durante a vida do compositor Franz Schubert (1797-1828), procuravam juntar aficcionados da sua arte e rapidamente se alargaram a outros locais e abraçaram outras artes, tais como a literatura ou a dança. Adaptando o conceito ao nosso tempo e espaço, surgiu a ideia de homenagear a poesia de Antero de Quental (sob domínio musical de Luís de Freitas Branco), ligado de algum modo à maioria dos poetas e músicos próximos de Schubert e do movimento Sturm und Drang, dos quais se destaca Johann Wolfgang von Goethe. 

Ergue-se o canto como uma coluna, um templo para o espaço da palavra renascida à luz do poeta. É de Antero a poesia, de Freitas Branco e de Schubert a música. Nas mãos o amor, matéria dolente que abrirá o caminho da Ideia, aquela do buscador, que acabou por cerrar no soneto o céu incorruptível da Consciência. Schubert abre uma brecha nessa eternidade de onde resvala o pó das estrelas, criando um sentido unificador entre ascensão e queda, na grandeza da mais pequena coisa. Em torno de uma palavra, três vozes diferentes transcendem o seu tempo para se encontrarem num lugar-comum que tentaremos pressentir. 

Programa

Franz Schubert Erster Verlust (piano)

Amor Vivo - poema recitado

Luís de Freitas Branco 3 Soneto de Antero de Quental

I. A Sulamita
II. Idílio
III. Sonho Oriental


Ego dormio, et cor meum vigilat - Cântico dos Cânticos

Franz Schubert - Suleika (Goethe)

Nocturno - poema recitado

Franz Schubert Sonata em si bemol maior D.960 
Andante sostenuto (piano, excerto)


***

Franz Schubert Ganymed (Goethe)

A um poeta - poema recitado

Franz Schubert An Schwager Kronos (Goethe)

Surge et ambula

Luís de Freitas Branco - A Ideia

I. Pois que os deuses...
II. Pálido Cristo...
III. Força é pois ir buscar...
Franz Schubert Frühlingsglaube (Uhland)
IV. Conquista pois sozinho...
V. Mas a Ideia quem é?
Franz Schubert An die Musik (Schober)
VI. Outra amante...
Franz Schubert Der Musensohn (Goethe)
VII. Oh! o noivado...
VIII. Lá! 


O programa foi apresentado em diversos pontos do país, na íntegra ou associado a algumas causas, convidadas ou de iniciativa própria, e registado pela Antena 2/RTP. 



1914 | 2014 . 4 Quadros para Luís de Freitas Branco



Os 4 quadros que propomos neste recital visam a exposição não só das influências europeias que acabaram por revolucionar o panorama musical em Portugal, como também de 4 pinturas alusivas à atmosfera que envolvia as sensibilidades na altura em que Luís de Freitas Branco viveu e estudou em Berlim e Paris (1910 a 1915): uma primeira, em jeito alado, representa o desejo de purificação; uma outra afunda-se na mais dolente melancolia; a terceira, assente na superfície da negrura, conta a agonia da fome e do sentimento de dispersão causado pela guerra; e por último, algo da mais elevada intimidade, o retrato do desejo de subtração do mundo exterior para um outro tecido da imaginação. A mão que nos conduz de um quadro a outro será a de Gustav Mahler, por muitos considerado um visionário, cuja música acabou por intuir o que se avizinhava naquele início do séc XX. Foi apresentado no Porto e em Lisboa e convidado a repetir parcialmente no Teatro Municipal Rivoli em Janeiro de 2016.


Programa

 1º Quadro ... va te purifier dans l'air supérieur 

César Franck  - Prócession. Luís de Freitas Branco  - Élévation. Gustav Mahler - Rheinlegendchen 

2º Quadro  ... mes mains sont lasses de prier, mes yeux sont las de pleurer! 

Luís de Freitas Branco - "Serres chaudes" I. Désirs d'hiver. Richard Wagner - Im Treibhaus              II. Heures ternes. Claude Debussy - De fleurs. III.Feuillage du couer 

3º Quadro ... Monde tu nous interroges: Tra la la, l'on répond: Tra la la. 

Gustav Mahler - Das irdische Leben. Luís de Freitas Branco - La mort des pauvres.                 Gustav Mahler - Revelge. Maurice Ravel - L'enigme eternelle 

4º Quadro ... Ich fühle Luft von anderen Planeten. 

Franz Liszt - Nuages Gris. Luís de Freitas Branco - "Deux sonnets de Mallarmé" I. Le pitre châtié Arnold Schoenberg - Entrückung. Gustav Mahler - Ich Bin der Welt abhanden gekommen 



Canções para Jorge de Sena



Uma homenagem a um dos mais marcantes poetas do século XX, Jorge de Sena com a estreia dos dois ciclos "As Evidências, 7 canções para Jorge de Sena" e "Coroa da Terra, 9 canções para Jorge de Sena" de Ana Maria Pinto, e um programa em 6 movimentos inspirado no livro "Arte de Música" de Jorge de Sena. 

Ante este ímpeto de sons e de silêncio, ante tais gritos de furiosa paz,  ante um furor tamanho de existir-se eterno, há Portas no infinito que resistam? Há Infinito que resista a não ter portas para serem forçadas? Há um Paraíso que não deseje ser verdade? E que Paraíso pode sonhar-se a si mesmo mais real do que este?

in Arte de Música, Jorge de Sena

PROGRAMA

"As Evidências" - Ciclo de 7 canções sobre poemas de Jorge de Sena - Ana Maria Pinto

"Coroa da Terra" - Ciclo de 9 canções sobre poemas de Jorge de Sena

***

Der Leiermann (Winterreise) - F. Schubert

Morgens steh ich auf und frage (Liederkreis op.24) - R. Schumann

Es treibt mich hin es treibt mich her  (Liederkreis op.24) -  R. Schumann 

Wie rafft ich mich auf in der Nacht - J. Brahms



O programa foi apresentado em Vila Nova de Gaia na Casa Museu Teixeira Lopes e gravado posteriormente no grande auditório do Conservatório de Música de Coimbra.


Diários em música. Paisagens de Torga e Graça



Juntam-se a palavra cantada e recitada para desenhar um programa baseado nos Diários de Miguel Torga. No concerto são interpretadas obras de Fernando Lopes-Graça e Federico Mompou. Fernando Lopes-Graça, que recebe de Bartok a integração da música tradicional, encontra em Falla e no folclore andaluz a sua maior raiz. Assim, dando vida aos tantos documentos etnográficos das regiões raianas, ouçamos pela sua mão a consanguinidade ibérica da nossa música. Federico Mompou, pela origem francesa da mãe, terá partilhado com Graça alguns anos o cálice das luzes. Ravel, Debussy e o Grupo dos Seis muniram-se cada um de uma linguagem muito própria, marcadamente da terra e para a terra. Fotografia de Georges Dussaud.



Programa

Fernando Lopes-Graça
Não sei se é sonho se realidade (Fernando Pessoa)

Federico Mompou
Pastoral (J. Ramon Jimenez)

Fernando Lopes-Graça
Arvolera (Canto Sefardim)
Si savías gioya mia (Canto Sefardim)
O menino da sua mãe (Fernando Pessoa)
Ao longe os barcos de flores (Camilo Pessanha)

Federico Mompou
Jo et pressentia com la mar (J.Janés)

Fernando Lopes-Graça
Quando eu passei nos portes (Canção Popular)
Oh lidai! (Canção Popular)
Canção da Vindima (Canção Popular)

Federico Mompou
Damunt de tu només les flors (J.Janés)
Llueve sobre el rio (J. Ramon Jimenez)

Fernando Lopes-Graça
Senhora do Almurtão (Canção Popular)
Onde me levas rio que cantei (Eugénio de Andrade)


Um recital extraordinário em torno de Torga, dos seus Diários e da sua obra poética por duas intérpretes de excepção que põem a cultura portuguesa ao rubro: aqui com Fernando Lopes-Graça (e Federico Mompou).                                        

Nuno Vidal. Dezembro 2015


O programa estreou-se no Gaia World Festival e repetiu na terra natal do escritor, São Martinho de Anta, no Espaço recentemente dedicado à sua pessoa e obra - Espaço Miguel Torga - e no CCB (Lisboa) com o actor e diseur Daniel Macedo Pinto. 


Texto e música em diálogo


           Um programa inteiramente dedicado a Robert Schumann, com o barítono Job Tomé                    no Museu Romântico da Quinta da Macieirinha. Inserido no Ciclo de Recitais do Curso de Música Silva Monteiro/Câmara Municipal do Porto.

Leituras: Daniel Macedo Pinto e Rute Pimenta

Textos: Zeferino Mota 


Programa

ROBERT SCHUMANN (1810-1856)

Liederkreis op. 39 (Joseph Eichendorff)

Duetos com piano​ ​(vários autores)



Diários em música. Paisagens de Torga e Graça II

Selecção dos Diários IX-XVI 

Música de Fernando Lopes-Graça, Fernado Lapa e Hugo Wolf

Sonografia de Luís Antero

Programa

Fernando Lapa  Imagem (Miguel Torga)

Fernando Lopes-Graça  O Senhor da ​S​erra do Ribatejo

Hugo Wolf Elfenlied / Auf eine Christblume

Fernando Lopes-Graça 

Eu subi ao alto freixo / Ó minha amora madura​ / Ó​ que lindo rapazinho / Fai​x​inha verde (canções populares)

Horizonte (Fernando Pessoa) / Só as tuas m​ãos trazem os frutos (Eugénio de Andrade)

Quando em silêncio passas entre as folhas... (Eugénio de Andrade) / ​José embala o menino (canção popular)

Hugo Wolf Um mitternacht / Abschied​


Futuros Projectos

Ou a Fragueira, ou Paris

Francisco de Lacerda em viagem

Ana Maria Pinto, soprano 
Joana Resende, piano 
Rui Silva, adufe 
Joana Peres, bailarina 


Ou a Fragueira, ou Paris, uma frase atribuída ao compositor Francisco de Lacerda, é o título de um recital que estabelece uma ponte entre dois lugares que influenciaram a obra de um dos mais relevantes e identitários compositores portugueses do séc XX: os Açores, a casa, e Paris, cidade das luzes. O adufe e o movimento da dança serão a raiz e a viagem. As Trovas e as canções francesas, a saudade e o futuro.

Nascido nos Açores, Francisco de Lacerda estudou no Conservatório de Lisboa. Em 1895 partiu para Paris, onde estudou no Conservatório e na Schola Cantorum (com Vincent d' Indy), tendo tido contacto com os vultos de maior destaque no seu tempo. Em 1913 regressa aos Açores, onde durante oito anos passa grandes temporadas numa pequena casa de veraneio situada na minúscula Fajã da Fragueira, na costa sul da ilha. É então que lhe é atribuída a frase Ou a Fragueira, ou Paris

Programa

Francisco de Lacerda, Gabriel Fauré, Claude Debussy, Maurice Ravel, Francis Poulenc



Folhas caídas. Sehnsucht e Saudade


Um programa dedicado a Almeida Garrett, Robert Schumann e compositores portugueses.

Com o barítono Job Tomé.



Tefutzah

Tefutzah (do hebraico dispersado), gira em torno da Diáspora Judaica, com obras compostas no rescaldo da II Guerra Mundial pela mão de Benjamin Britten e Dmitri Shostakovich.                    Com a meio-soprano Cátia Moreso e o tenor João Terleira.

© Alexandre Costa